Vencendo a Bulimia.

02 de fevereiro de 2018

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O post de hoje não é só um texto. Ele é mais, muito mais. Ele fala de um assunto que atinge muitas e muitas pessoas. Principalmente jovens. Por isso, é importante que ele seja feito. Precisamos falar disso, entendem? Precisamos que transtornos alimentares sejam debatidos. Para que? Para salvar vidas. Talvez ele não lhe ajude diretamente, mas pode te fazer ajudar alguém. Talvez você chore ao ler cada palavra que tem aqui, porque foram ditas por pessoas reais que passaram e ainda passam por isso. Talvez você se veja nisso. São muitos talvez, mas também é muita verdade.

Quando criança, eu sempre fui muita afoita e sempre gostei de ler. Não é a toa que criei o meu primeiro blog aos 11 anos (você pode vê-lo aqui). Mas isso também me levou a lugares sombrios. Como taurina, eu sempre amei comer. Como apaixonada por música, eu sempre amei cantoras. Entre elas, Anahi. Descobri que queria ter o corpo dela. Contudo, na minha cabecinha, de uma menina de 11 anos, como seria possível tal fato fazendo brigadeiro de café todos os dias? Procurei sites na internet e achava que tinha encontrado a solução. Eu não comia bem, jogava a comida fora pra minha mãe não desconfiar. Quem me tirou desse mundo? Minha amiga, Clara Emanuele, que ia quase todos os dias verificar se eu estava almoçando. Saia de casa mais cedo antes de íamos a escola.  Eu tive um anjo e consegui me libertar.  Mas e você? E outras meninas? E outros e outros jovens que ainda estão nessa? Trago aqui, duas pessoas maravilhosas que enfrentam e enfrentam a bulimia pra falar melhor sobre isso. E óbvio, uma psicóloga incrível.

Vamos começar com a Alessandra Delgobo, ela tem 21 anos e é formada em Jornalismo. A ale é uma menina maravilhosa, trabalha com marketing e social media. O instagram (adelgobo) dela é todo voltado pra moda e cheio de inspirações. Porém, a Alê é mais do que isso. Ela é uma vencedora. Eu a perguntei quando ela percebeu que estava com bulimia e a mesma me contou sua história. Adianto logo que é forte. Então prepare o lenço e vamos lá:

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“Eu era uma criança gordinha. Desde que eu lembro as pessoas falavam que eu seria uma pessoa gorda e que precisaria emagrecer quando crescesse. Quando comecei a fazer ballet, uma das coisas que eu mais gostava na vida, ouvi pessoas falarem por eu ser gordinha não poderia praticar e dançar. Aquilo me marcou. Desde que eu lembro essa pressão sempre esteve presente. Eu cresci e me desenvolvi muito rápido, com 12 anos eu já tinha mais corpo do que as outras meninas. E eu era sempre comparada com elas, que eram todas magras. Desde essa época eu participava no Orkut de comunidades de “Ana e Mia”. Aos 15 anos eu vi isso explodir na minha cara. Eu odiava meu corpo, eu tinha repulsa por quem eu era. Eu me sentia culpada por comer e tentava ao máximo achar formas para não comer. E quando eu comia, não era algo normal, era uma compulsão e após comer eu tentava “expelir“, através de laxantes, vômitos e excesso de exercícios físicos. Imaginar que eu estava ganhando peso era horrível. Eu percebi que eu estava doente e precisava de ajuda quando eu comecei a desmaiar na rua e tinha que ligar pedindo ajuda para a minha mãe. Cheguei a desmaiar no banheiro e ficar trancada dentro dele por um tempo, porque minha mãe não conseguia abrir a porta. Eles viam que eu não estava bem, mas ao mesmo tempo achavam que era frescura, que era só comer. Até porque eu nunca fiquei abaixo do peso normal, sempre oscilava o que é uma característica da bulimia. Então eles só viam o externo. Atualmente eu tenho amigos que me apóiam, mas naquela época não. Eu estudava de manhã então quando ficava sozinha à tarde eu comia o que eu podia enquanto ninguém estava por perto para me monitorar e depois ficava horas trancada no banheiro, me sentindo culpada por ter comido. Aí no outro dia eu não comia para compensar. Mas em seguida vinha outra crise de compulsão, e depois culpa. Era um ciclo horrível. Por causa disso, eu fiquei com anemia e em 2015 fiquei internada alguns dias num hospital, pois a anemia me deixava com a imunidade tão baixa a ponto de que eu não conseguia ficar muito tempo sem estar doente e precisar fazer exames. Antes de eu ficar internada, que eu tinha um relacionamento abusivo que ele sempre chamava a minha atenção se eu engordava um pouco. Em 2014 eu voltei a fazer dietas e ia para a academia todos os dias. Eu jurava que era uma pessoa saudável e fitness. Mas abusava dos laxantes e diuréticos como uma forma de “ajuda” para emagrecer. Quando eu percebi, já era tarde. Tinha compulsão quando passava uma semana de dieta. E aí vomitava para compensar. Esse relacionamento agravou muito a situação, pois eu achava que se não estivesse magra e me mantivesse num peso bom ele não ficaria mais comigo. Em 2016 eu tive diversas crises, por conta da pressão da faculdade e do estresse. Comida ao mesmo tempo em que era algo que eu amava era algo que eu odiava e tinha repulsa. Eu sinto que eu demorei a procurar ajuda, demorei pra conseguir falar com alguém sobre isso. Então meu único conselho é: peça ajuda. A comida não é sua inimiga. Seu corpo não é seu inimigo. Eu sei que parece impossível sair disso, eu sei que dói. Eu sei que você se sente julgado pelos outros, que parece que ninguém te entende. Mas eu entendo. E eu estou aqui. Eu consegui sair disso e você também vai. Eu consegui amar meu corpo pelo que ele é. Você também vai. Eu acredito em você.”

Forte. Eu sei. Mas ela conseguiu sair, ela enfrentou e venceu. Todos nós podemos fazer isso. Agora, temos Igo Lucas. Ele é de Pernambuco, tem 18 anos e um lindo dom para fotografia. Eu tenho uma história bonitinha com ele. Conhecemos-nos num grupo de blogueiros do facebook e um dia conversando com uma vizinha, ela acabou soltando que era da cidade dele e no fim, descobri que ela era sua tia. Ele veio até aqui e nos conhecemos pessoalmente. O Igo também tem um instagram lindo e um grande dom para as palavras. Mas, assim como a Ale, ele é um vencedor. Enfrenta a bulimia e segue em frente. É aquilo do enfrente, em frente. Vamos ver o que ele tem pra nos dizer?

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> Quando você percebeu que estava com bulimia?

Fiz um tratamento de emagrecimento durante meses. Por dia não poderia passar de 1.500 calorias, o médico disse: ‘’você engorda a partir do momento que passar dessa quantidade’’. Então eu sempre tinha que ter a base do que comer, porém todas as vezes que eu passava da quantidade, eu saberia que iria engordar e me sentia com a consciência muito pesada, então infelizmente acabou se tornando um ciclo em minha vida.

> Você tem apoio dos seus familiares ou amigos?

Na verdade, eu acho que quem passa por isso, geralmente não conta aos familiares, por medo ou vergonha, então sim, muitas vezes desabafei com minha mãe, fiz terapias, tomei medicamentos, porém isso é uma coisa que você pode conversar o quanto for só vai depender de você e sua consciência. ‘’Vou fazer isso só hoje’’, amanhã da mesma forma, e assim infelizmente vai fazer por dia, meses, anos.

> Qual recado você daria pra quem está enfrentando isso?

Eu sei que é muito difícil viver nos padrões hoje em dia é muito complicado, onde ser você é se achar insuficiente, porém queria dizer que você é incrível da maneira que Deus lhe fez (estou escrevendo isso para mim também). Se apegue com pessoas que te de carinho e atenção, com certeza procure ajuda médica, não é feio e nem motivo de vergonha, você é incrível.

Pois é, assim como o Igo falou, é necessário procurar ajuda médica. Terapia, acompanhamento psicológico e psiquiatra são essenciais para vencermos essa batalha. Por isso, chamei uma amiga psicóloga que além de ser extremamente inteligente é um ser amável e humano. A Hannah Alves (clique aqui pra ver o perfil dela):

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“A quantidade de pessoas com transtornos alimentares só cresce, e isso tem a ver com o fato de estarmos sendo pressionados o tempo todo para nos enquadrarmos em um padrão de corpo inalcançável. A Bulimia é um transtorno alimentar grave, onde o paciente ingere grandes quantidades de comida de uma vez, em seguida, sente-se culpado, e tenta se “livrar” das calorias que foram consumidas. A pessoa pode fazer exercícios físicos exageradamente, utilizar-se de laxantes ou provocar o vômito. Isto leva a um comportamento vicioso e compulsivo, que pode causar diversos problemas físicos e emocionais no paciente, e em alguns casos, levando a morte. A maioria das pessoas com Bulimia são do sexo feminino, mas os homens também podem ter este transtorno. Geralmente os pacientes bulímicos não aparentam estar doentes externamente (diferente da anorexia nervosa), portanto, para reconhecer se alguém tem Bulimia, você deve observar como essa pessoa se comporta em relação à alimentação dela, se existe uma exaltação do corpo magro, um medo exagerado em engordar, idas freqüentes ao banheiro logo após as refeições, rituais ao comer, sigilo em relação à comida, como por exemplo, levantar no meio da noite para ir comer escondido, ou esconder alimentos, isolamento social, outros comportamentos compulsivos como o uso de álcool. Se você conhece alguém, ou tem esses sintomas, procure um psicólogo e um psiquiatra. A Bulimia assim como os outros transtornos alimentares tem tratamento, e a vida da pessoa pode melhorar.”

Portanto, se você passa por isso, não hesite em procurar ajuda médica. Vá, não é vergonha alguma lutar contra esse mau. E, se não é contigo e sim com alguém que você conhece, ame essa pessoa e a leve em algum psiquiatra ou psicólogo. Nós, eu, você e os outros precisamos nos sentir amados. O amor é essencial e amar é procurar o melhor pro próximo.

Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.


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