Sentimentos

06 de dezembro de 2016

Martinha Barreto

Acendi as luzes do meu quarto. Todas elas. As azuis, a luminária em forma de coroa e a lâmpada normal. Queria tudo claro, inclusive meus pensamentos. Era mais um fim de ano que se aproximava e tudo continuava como sempre esteve: confuso. É sempre assim quando assunto sou eu. As coisas que são para dar certo, não dão. As pessoas que eram pra ficar, não ficam. Os sonhos que eram pra se realizar, não se realizam. Eu fico sentada, em qualquer lugar da cidade, sentindo uma nostalgia de tudo que se foi, pensando em como as coisa chegaram até esse ponto. Perguntando-me onde errei. E nenhuma resposta vem… Ela nunca vem. Mas, ao acender tudo, ao fazer tudo brilhar, consigo enxergar o porquê de algumas coisas terem de dá errado. Ah, eu deveria saber. Precisamos sentir o peso do ruim pra valorizar o bom. 

Se tudo sempre desse certo, se tudo ficasse pronto no tempo certo, eu ou você não iriamos ficar felizes no fim do dia. A rotina cansa qualquer um. Sim, isso também faz o problema das coisas acontecerem sempre de forma inadequadas nos atingirem tanto, acontecer é melancólico por si só e piora por cansar já que é rotineiro. Eu fico exausta, anestesiada e com uma baita vontade de largar tudo e fugir. Fugir pro tempo em que tudo estava sob controle de não ter responsabilidades. Fugir pra trás. Fugir pra onde não posso voltar. Comprar uma máquina que me faça reviver tudo novamente sem errar. Mas, nós sabemos bem, não é possível.

Nunca é possível. A gente continua no mesmo lugar, na mesma cama, no mesmo quarto, com as mesmas luzes. Pensando, escrevendo e ouvindo música. Esperando mais alguma coisa ruim acontecer pra depois comemorar o fim do pesadelo ter acabado. Como um ciclo. Esse é o ciclo da vida. É, eu sei que crescemos pensando que a vida é só nascer, crescer e morrer. Pois bem, não é assim. A gente até nasce, mas pra crescer temos que sofrer um pouco. Ou muito. O brilho me faz perceber isso. A música de Lucy Rose ao fundo também. Não importa o que eu faça pra fugir dos que vem até mim, sempre irei bater de frente no que tem que acontecer. Posso até estar cansada, mas virá. Sempre vem. A diferença é que agora todas as luzes estão acesas. Inclusive as da minha alma. 

Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.


4 comentários

4 respostas para “Sentimentos”

  1. Vitor disse:

    Como tu consegue ser tão incrível? Como consegue escrever coisas tão lindas!? Essa reflexão realmente é importante e conseguiu escrever ela da melhor maneira possível!

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