Onde há um você, há o que dizer.

01 de fevereiro de 2018

Eu sei que cenários bonitos encantam os olhos dos outros, atraindo belos sorrisos ou olhares curiosos. Mas, para combater o caos que há dentro dos meus pensamentos, eu ando preferindo lugares vazios, onde a nudez perdura. Pode parecer estranho aos olhos dos outros, contudo, aos meus, nada é mais entendível que isso. Sei que dizem por aí que poetas gostam de exageros ou que a extravagância é mais atraente aos dedos de um escritor. Porém, eu digo com toda a certeza que há dentro de mim – pelo menos por enquanto – que não preciso de muito para me sentir bem.

Muitas vezes eu caí na do mundo de achar que nada iria me satisfazer se não houvesse aplausos dos outros. Como aquele curso da universidade, como aquele corpo das revistas, como aquelas viagens de instagram ou com aquela vida que a maioria sonha. Mas eu não sou isso. Você também não é, acredite em mim. A gente consegue se contentar com quase nada quando enxergamos o nada como tudo. Tem coisas que me fazem muito bem no dia-a-dia, um bom livro ou um filme antigo. Talvez tu tenhas um jogo de vídeo game ou um esporte. Ali também existe felicidade. Conversas com amigos, almoço em família, telefonema de alguém distante ou uma tarde de séries sozinho. Tudo isso pode ser tão pequenino perante o que eu almejava, contudo, é o essencial para mim.

Não perco em meus pensamentos os sonhos de infância, o desejo de encontrar poesia em cada lugar do planeta. Isso não. O que acontece é que eu não preciso mais disso pra continuar vivendo bem. Ou pra continuar sendo poeta. Eu não sei se você entende o que eu estou escrevendo agora, mas o que eu quero mesmo passar é que há em cada pedaço do lugar que você se encontra agora, um cadinho de beleza. Detalhes que muitas vezes você deixa passar estando com a cabeça no luxo. Há vida aí. Se há vida, há o que escrever. Se não há, escreve sobre a ausência dela. Mas sempre, sempre existirá algo que eu ou você possamos narrar. Não precisamos ir muito longe pra isso. Só ver além.

Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.


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