Ninguém aguenta mais.

21 de julho de 2017

35879981812_f7386f2d1e_o

Quantas vezes a gente gritou por aí que simplesmente não dava mais? Que estava difícil continuar como as coisas estão? Lembro dos meus sonhos de quando criança, aqueles ditos como tolos pelos nosso pais. Você nunca quis ser bailarina? Atriz? Jogadora de futebol? Bom, a maior campeã da bola de ouro tem o meu nome. Eu queria ser como ela. Obviamente não consegui. Não coloquei minhas asas e sai voando como esperava que fosse possível no futuro do passado, hoje, presente. Eu simplesmente estacionei aqui onde estou. Sinto que estou decepcionando quem já fui algum tempo. E ninguém ver isso.

É estranho. Estranho mostrar, falar e deixar marcas por aí que estamos chegando no nosso máximo e ninguém perceber. Bom, eu não sei você, mas já andei pelas ruas da cidade com o pulso aberto dando adeus a todas as esquinas que eu passei completamente sozinha. Sem olhares. Sem vozes. Apenas eu. De tal forma que se eu vestisse uma capa de invisibilidade nada mudaria. Tudo continuaria da mesma forma. Simplesmente porque nós, bem, nós não buscamos enxergar a alma do outro. E é a alma que anda por aí segurando cordas no pescoço, facas no pulso e comprimidos na mão. A gente só ver aquela parte de carne que se esconde atrás de máscaras de sorrisos. Esses somos nós.

Somos assim até algo drástico acontecer e tentarmos ver o que não foi visto antes. Até tentarmos ouvir os gritos que não foram ouvidos antes. Até tentarmos ler o que não quisemos ler antes. Até não podermos fazer mais nada além de nós arrepender. Porque o que passou já foi embora. Não volta. Fica numa parte da nossa vida que só será vista de novo na nossa memória. Isso é, se não já perdemos também. Por isso a gente tem que usar mais óculos e enxergar as coisas antes delas virarem a rua. Não precisamos perder o que a gente ama. Não precisamos perder mais ninguém. Ainda podemos salvar mais pessoas. Inclusive a nós. Só precisamos olhar.

Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.


8 comentários

8 respostas para “Ninguém aguenta mais.”

  1. Gianna Sá disse:

    Bela reflexão Martinha, forte, mas muito real.

  2. Gianna disse:

    Achei muito verdadeiro, forte e muito bom para refletir. Hoje em dia várias pessoas passam por momentos difíceis; às vezes não encontram nenhum apoio, Vamos olhar com mais carinho, amor e zelo as pessoas ao nosso redor. Amei o texto. Parabéns!

  3. Que texto forte e real!!
    Hoje em dia falta empatia, falta tentar entender o outro e ajudá-lo.

  4. Camila Sousa disse:

    Acredito que você já saiba que suas palavras tem o poder de tocar as almas. Eu me sinto a prova viva disso. Confesso que muitas vezes fujo de ler o óbvio, com medo do que vai mudar dentro de mim. Só que eu cheguei em um dilema: não aguento mais viver assim, precisei mudar antes que cada parte de mim fosse morrendo aos poucos. Sim é possível mudar e enxergar tudo novamente. Mesmo que muitas vezes seja em off, amo acompanhar seus textos.

    Um super beijo…

    • Oii Camila!!! Você não sabe como me deixou feliz ler esse teu comentário.. Eu me encontro igual a você. Fugindo da rotina. Do igual. Do que eu sei que preciso ouvir, mas não quero. Porém, ou a gente faz isso por si só, ou a vida faz, né? Feliz por tua mensagem. Cheiro!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *