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Café, amor e eu.

24 de outubro de 2017

Gosto de tomar café com leite. Um pouco frio, um pouco quente. Morno, como diz minha mãe. Assim como gosto de tudo na vida. Mas, não significa que eu seja assim. Eu sou intensa. Pra mim ou é zero vírgula oito ou é oitenta mil, compreende? Vai do menos infinito ao infinito em questão de segundos. Como uma função potencial. Tudo corre. Não queria ser assim, de coração mesmo. Queria ser como o café que bebo agora. Talvez, o mundo me aceitasse mais. Ou não.

Eu não sei como as coisas funcionam na vida, algumas vezes penso que tudo dar mais certo pra quem não se preocupa muito. Porém, como alguém pode não viver preocupado com as coisas hoje em dia? Olho para os lados e vejo uma bomba de emoção em cada segundo. Seja boa ou ruim. Tudo está indo reagindo de tal forma que chega a assustar. Ou pelo menos me assustar. Temo olhar nos olhos dos outros e absorver demais. Temo passar por ruas e receber as lágrimas das pessoas. Temo me ver sorrindo sem motivos só porque o sorriso daquela criança é lindíssimo. Temo ter alma de poeta numa sociedade de números. Temo a realidade, pois quero viver no mundo dos sonhos. Temo acreditar que o amor não morreu e ele já está morto. Temo, apenas temo.

Se eu falar que isso me faz ser medrosa, irão dizer que não. Ora, pessoas fortes sentem medo também. Isso é, se eu for forte como dizem. Todo mundo tem a mania de achar que quem é intenso é forte. Que quem sente muito é corajoso. Ai, como eu gostaria de me sentir assim. E se isso fosse verdade, por que eu não me encaixo onde eles estão? Sempre sou aquela com medo de magoar e que acaba sendo magoada. Sempre acabo sendo a sensível demais. Sensível e forte. Isso pode? Se colocarmos na física, são opostos. Se são opostos, se atraem. Então, talvez possa assim. Talvez estejam certos. A gente pode ser uma contradição também.

Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.

Ninguém aguenta mais.

21 de julho de 2017

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Quantas vezes a gente gritou por aí que simplesmente não dava mais? Que estava difícil continuar como as coisas estão? Lembro dos meus sonhos de quando criança, aqueles ditos como tolos pelos nosso pais. Você nunca quis ser bailarina? Atriz? Jogadora de futebol? Bom, a maior campeã da bola de ouro tem o meu nome. Eu queria ser como ela. Obviamente não consegui. Não coloquei minhas asas e sai voando como esperava que fosse possível no futuro do passado, hoje, presente. Eu simplesmente estacionei aqui onde estou. Sinto que estou decepcionando quem já fui algum tempo. E ninguém ver isso.

É estranho. Estranho mostrar, falar e deixar marcas por aí que estamos chegando no nosso máximo e ninguém perceber. Bom, eu não sei você, mas já andei pelas ruas da cidade com o pulso aberto dando adeus a todas as esquinas que eu passei completamente sozinha. Sem olhares. Sem vozes. Apenas eu. De tal forma que se eu vestisse uma capa de invisibilidade nada mudaria. Tudo continuaria da mesma forma. Simplesmente porque nós, bem, nós não buscamos enxergar a alma do outro. E é a alma que anda por aí segurando cordas no pescoço, facas no pulso e comprimidos na mão. A gente só ver aquela parte de carne que se esconde atrás de máscaras de sorrisos. Esses somos nós.

Somos assim até algo drástico acontecer e tentarmos ver o que não foi visto antes. Até tentarmos ouvir os gritos que não foram ouvidos antes. Até tentarmos ler o que não quisemos ler antes. Até não podermos fazer mais nada além de nós arrepender. Porque o que passou já foi embora. Não volta. Fica numa parte da nossa vida que só será vista de novo na nossa memória. Isso é, se não já perdemos também. Por isso a gente tem que usar mais óculos e enxergar as coisas antes delas virarem a rua. Não precisamos perder o que a gente ama. Não precisamos perder mais ninguém. Ainda podemos salvar mais pessoas. Inclusive a nós. Só precisamos olhar.

Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.

Sonhe grande.

02 de Fevereiro de 2017

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Eu tenho um quadro no meu quarto que diz, em inglês, basicamente assim: Sonhe grande. As vezes ele se encontra torto, as vezes ele fica tão reto que qualquer pessoa com T.O.C iria aplaudi-lo. Mas, em sua maioria de tempo, ele vive gritando: Grande! Sonhe grande! O que, faz importar mais do que a sua posição. Bom, mas o que seria isso? Seria sonhar de tal forma em que nada mais importasse? Ou desejar algo impossível? Até mesmo, inexistente? É, eu não sei. O que eu acredito é que sonhar grande é sonhar de verdade. E poxa, como é bom sonhar de verdade.

Certo dia eu acordei no meio da noite, olhei para a parede e senti, do fundo do meu coração, que eu tinha sonhos gigantescos. Percebi ali, em meio a madrugada e ao som dos carros, que eles movem minha vida. Bem, provavelmente movem as suas também. Cada um com seu sonho, cada um com sua caminhada, cada um com seus medos e cada um com suas paixões, seguimos em diante dia-a-dia no desejo de realizar o que sempre queremos. Poxa, como você seria hoje se não tivesses mais nada para alcançar amanhã? Duvido que alguém batalhador, sério.

Eu sei que muitas vezes você se sente intrigado, decepcionado e cansado por ter que viver a vida inteira correndo atrás de algo. Ora, eu também me sinto assim. Contudo, eu percebi que conquistar é gostoso demais e o caminho pra chegar lá pode ser melhor ainda. Se estivéssemos parados no tempo, não encontraríamos tantos obstáculos e conseqüentemente aprendizados na nossa vida. Então, vamos sim nos permitir sonhar grande. Sonhar gigante. Sonhar infinitamente. Pra que qualquer coisa boa aconteça em nossas vidas, o primeiro passo é acreditar nelas.

Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.

Pequenos textos de dor ou amor.

07 de dezembro de 2016

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Esse post é um que sempre quis fazer aqui, são alguns textos que geralmente posto no tumblr e são, teoricamente, pequenos demais para valer um post inteiro aqui. Então, selecionei os meus favoritos e resolvi mostrar pra vocês. Espero que gostem, são escritos nos picos de sentimentos – bons ou ruins-.

Sou, notoriamente, uma grande fã de Bukowski. Do seu jeito de pensar sobre a vida, ou melhor, de sentir a vida. Certa citação sua que li em alguma rede social de alguém tão desacreditado no ser humano quanto eu, me fez refletir mais sobre a jornada de cada um do que os anos que já vivi. Bem, ele dizia resumidamente que existia uma certa sintonia entre as dores e os poetas.  Ora, isso não é nada menor do que a verdade. Dor é sentimento. Sentimento é poesia. Eu sinto, logo, sou poetisa. Mas, ora, todo mundo sente. Sente?  Sentir. Sentir é amplo. Mas sentir, sentir mesmo, poucos sentem. Sentir extremante, sentir bastante, sentir mais do que mentir. Sentir cada pedaço das pessoas, sentir cada cheiro na rua, sentir cada luz que sai do céu, sentir cada escuridão que dói na alma, sentir cada voz que grita nos bueiros, sentir cada nota que toca nas músicas, sentir cada olhar que sai dos transportes, sentir cada gesto que sai do corpo. Isso é sentir. É desembrulhar pensamentos de modo em que tudo que foi visto, tocado ou escutado se transformasse em poesia. Nascendo assim, nós, os poetas. Aqueles que tem peles cortadas, estômagos marcados de remédios, sangue cheios de álcool ou pulmões cansados de cigarros. Nada românticos, muito romantizados. Afundados em suas dores ou dores dos outros. Sem vozes de tanto gritar socorro ou com dedos calejados de tanto escrever cartas de adeus. É, esses somos nós. Como dizia o chefe, Bukowski, os poetas e as dores. Esses, em minhas palavras, os maiores dependentes do sentir.” (07/12/2016, as 22:04 em algum lugar de João Pessoa).

“É engraçado como a vida muda completamente do nada. Nossos planos, nossos sonhos, nossas metas, tudo muda de um instante para o outro. E aquela pessoa que eu era antes, já se foi há muito tempo. Ou não. Ou ainda estou em algum lugar escondido dentro de mim. O que está claro é que nada está como eu esperava. Todos aqueles caminhos que eu pensei que iria trilhar, todos ficaram para trás na primeira curva que eu dei. Não sei se enxergo isso de uma maneira diferente que os demais, mas por que a gente muda tanto com o passar dos anos? Era tão bom sonhar e acreditar que aquilo seria igual. Eu realmente acreditava. Eu, com toda sinceridade do mundo, pensava que iria ser mais um alguém que luta contra a maldade que alastra o planta. Mas não, tornei-me apenas mais uma pessoa triste e sem razão alguma de prosseguir. Curvei em rotas tão significativas e ao mesmo tempo sem motivo algum que me perdi nos meus próprios desejos. Hoje, já não me vejo mais com algum sentido como via antes. A nostalgia já fez morada em mim. É possível sentir saudade dos sonhos que não realizou? Se não é, eu consegui essa proeza. Não estou há reclamar das respostas que a vida me deu as minhas ações, porém estou ao que eu fiz comigo mesma. Somos capazes de mudar tudo que existe dentro da gente com apenas um pensamento e isso, ah, isso causa danos imutáveis.” (25/04/2016, alguma madrugada em João Pessoa).

Você era simplesmente o que toda garota desejaria ter, qualquer uma, até aquelas mais – surpreendentemente – seguras. Seria tola se eu não confirmasse que moças do mundo inteiro se apaixonariam por você. Somente pelo fato de você ser você. Com todos os defeitos. Você era o sonho devastador de todas. Poderia lhe encontrar apenas em livros. Aliás, em quantos livros você pode ser visto? Identifico-te em um trilhão. Em você, é possível experimentar todos os mocinhos dos romances mais inspiradores da história da terra. Como também, todos os vilões dos dramas de Shakespeare. Quem ousaria dizer que não se apaixonou por Demétrio em Sonhos de Uma Noite de Verão? Ninguém! E você, nobre cavaleiro, é a mistura de Demétrio com Romeu. Você ganha Dom Juan! Você derrota o Homem Aranha. Thor se torna fraco diante do todo o poder que seus olhos têm. Basta você sorrir para que Afrodite perca a noção do amor.  Ah, como eu poderia ser capaz de te colocar em um pote e ficar cuidando de ti para sempre. Mas eu sei que não serei capaz. Eu não mereço você! Aliás, quem poderia te merecer? Não imagino ninguém apropriado para lhe proteger. Sim, eu sei que você não precisa de proteção. Contudo, quem não precisa de um pouquinho de cuidados no fim do dia? Em meio a uma tempestade? Ninguém. Nem mesmo você. Todo mundo precisa de amor. De um abraço. De um beijo. Não foi por isso que Romeu se permitiu morrer? Ah, por você eu me tornaria Julieta.” (18/05/2015, numa manhã qualquer).

Bom, é isso. Espero que tenham gostado… Não sei, eu sou assim. E aqui tem que ser a minha cara, não é?

Com amor, Martinha.

Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.

Por que você foge ao ver essas marcas?

30 de setembro de 2016

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Eu não sou linda? Não sou perfeita? Não pareço ter o mundo nas mãos? E esses cortes no meu braço? O que você diz sobre eles? E esses arranhões no meu pescoço? Na minha perna? As marcas de sangue na minha cocha? E essas olheiras? O que me diz sobre elas? Esses olhos inchados de tantas lágrimas? Essa voz rouca dos gritos pedindo socorro? Ninguém acha bonito? Cadê os aplausos agora quando veem o vazio que está aqui por dentro? Ora, por que vocês estão correndo? Porque não estou sorrindo, só pode.

Todos dizem tantas coisas, dizem que isso é só pra chamar atenção. Dizem que não é nada mais do que drama. Ah, eles acham que eu vou melhorar com elogios. Eles acham que eu preciso disso. Apenas disso. Quando na verdade, eu só queria sair correndo. Correndo como se não houvesse amanhã e não existisse medo algum. Como se não existissem vozes. Como se não existisse ódio. Ah, como se não existisse a solidão.

Não, eu não odeio a solidão. Eu não a temo. Eu apenas vivo com ela há tanto tempo que me cansei. Cansei de me sentir assim. Queria apenas acordar e não sentir mais esse pavor. Sorrir, levantar e não ter vontade de sair correndo e voltar pra cama. Sair andando pelos cantos claros e não sentir nada me empurrando pra trás. Apenas isso que eu queria. E talvez aí, você conseguisse dizer que eu sou linda mesmo. Que essas marcas só mostram que eu venci. Não sei, mas talvez aí, você não tivesse correndo agora. Correndo pra bem longe de mim.

Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.