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5 aprendizados que 2015 me trouxe.

22 de dezembro de 2015


Hoje quis fazer um post diferente, quis falar a vocês sobre os 5 maiores ensinamentos que eu tive em 2015. Afinal, foi um ano em que eu não consegui fazer universidade (eu passei para o 2015.2 e devido a greve, meu curso que começaria em agosto só irá começar em fevereiro), conclui meu estágio e passei por grandes problemas na minha vida pessoal. Ou seja, foram 365 dias de muitas descobertas, aprendizados e tapas na minha cara. Vamos lá?

1 –  A gente só colhe o que planta.

Sempre soube disso, aliás, sempre ouvi falar disso, mas foi nesse ano que ratifiquei essa minha tese. Em 2014, eu tive a minha fé a prova inúmeras  vezes. Saia de casa as 07:00 da manhã e voltava as 23:00. Era estágio, ifpb, cursinho pro vestibular e monografia. Todos os dias. Sempre me disseram “ou você só faz uma coisa ou não irá conseguir ser boa em nenhum dos 4.” E adivinhem? Consegui finalizar com mérito nos 4. Claro que alguns resultados só vieram sair esse ano, então sim, você só colhe o que planta. Eu poderia ter desistido. Eu poderia ter me entregado e deixado alguma pra lá. Mas não, fui até o fim e até hoje colho os frutos de todo meu esforço e colherei para sempre, uma vez que meu aprendizado ficará eternamente na minha mente e no meu coração.

2 – Nem todas as pessoas são essenciais na nossa vida.

A gente tende a achar que precisamos de fulano para sobreviver, que não existe sentido na nossa vida se não tivermos aquela amizade, aquele romance ou aquele ídolo. Não, gente. Eu acredito que essencial só Deus e nossos pais (sejam biológicos ou de criação). Não deveríamos colocar expectativa em cima de ninguém, acreditar que precisamos dela pra tudo. Assim como nós iremos decepcionar alguém na nossa vida, as pessoas irão fazer isso conosco também. Se alguém saiu da sua vida, deixe-a ir. Isso significa que aquilo não era pra ser. Apenas agradeça pelos momentos passados, até aqueles mais tristes e de mágoas, eles também serviram como ensinamentos na tua vida.

3 – Julgar é errado e deveria ser proibido.

Ninguém vive a vida de ninguém. Ninguém sabe quem é ninguém. Ninguém conhece o coração de ninguém. Nem aqueles que tu convives todos os dias. Por isso, não deveremos atirar pedras. Quando alguém nos julga, ficamos arretados. Eu mesma fico. Não compreendo como alguém que só viu uma foto minha consegue tirar definições incríveis sobre a minha personalidade e eu não consigo fazer isso com anos de convívio com algumas pessoas. É inexplicável, não é? Por isso eu me policio sempre para não fazer o mesmo. Não sou hipócrita de dizer que nunca julguei, não julgo ou não vou julgar. Contudo, irei fazer o máximo para não cometer tais ações. Vamos tentar fazer isso também? Em 2017 vocês me dizem se conseguiram.

4 – Enxergar além do que nossos olhos nos mostra é essencial.

Como disse no começo, eu finalizei meu estágio esse ano. Eu não poderia falar nada mais nada menos do que isso sobre ele e o quão feliz eu sou por ter aprendido isso. O nosso mundo não é perfeito, nosso País tem pessoas fome, nosso estado tem pessoas com frio e na nossa cidade tem pessoas dormindo em barraco. Temos a capacidade de achar que isso só acontece em lugares longes, mas não, na nossa frente tem tudo isso. Quando passamos a ver, passamos a querer fazer. Passamos a querer ajudar, passamos a parar de reclamar e nos impressionar com a nossa futilidade. É indispensável que cada pessoa, inclusive eu, abramos os olhos para que a gente dê poder ao nosso coração para sentir vontade de mudar. Se mesmo com os olhos abertos a gente não enxergue a maldade do mundo, devemos usar óculos para que isso aconteça. Para que a lama da crueldade não nos contamine, é necessário que saibamos onde ela está.

5 – Gratidão é a palavra chave da felicidade.

Pode até parecer uma frase clichê ou de alguém que não sabe nada, mas é a realidade. Quando aprendi isso, boa parte da minha caminhada se tornou mais leve. Ser gratos aos nossos amigos, aos nossos parentes, ao nosso trabalho, a natureza, ao mundo, aos nossos pertences e a nossa vida é essencial.  A luta pelo mais é cansativa, desgastante e nos traz péssimos frutos. Óbvio que devemos sonhar, mas com a cabeça lá em cima e nossos pés no chão. Existe tanta coisa que a gente tem, tanta coisa que é mais do que merecemos e só conseguimos pensar no que não temos. Valoriza-las faz um bem danado. Mostra-nos que a vida é mais do que qualquer coisa. Não deixe pra estimar quando perder. Depois você pode se arrepender.

Bom, com certeza aprendi muito mais do que isso e sei que ainda preciso amadurecer muito, aprender mais e ter uma alma cada vez mais leve. Porém, não posso negar que 2015 foi o ano em que tirei uma fenda dos meus olhos. Foi ano que renovei meu sim a Deus, o ano em que vi que tenho muito e que ninguém alcança nenhum objetivo se não lutar, se não caminhar com força. Parar para pensar no que a gente aprendeu também é um exercício espetacular, sabiam? Tentem fazer isso e me digam quais são os aprendizados que a vida lhe deu esse ano. Tenho certeza que são muitos. 

Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.

Menos futilidade, mais amor.

07 de dezembro de 2015
Um certo dia, eu recebi uma ligação de que tinha sido aceita no estágio que eu queria e que deveria ir de tênis, uma vez que iríamos para campo no primeiro dia de trabalho. Tudo bem, não é? Afinal, eu sabia que iria visitar muitos lugares, fazer vistorias e plantas como minha profissão faz. Aprenderia muito sobre construção civil, habitação e a realidade social. Nada melhor do que aprender, não é? Mas não foram só sobre edificações que o estágio me trouxe aprendizados, foi principalmente sobre a vida.

Quando chegou o dia, acordei com o máximo de ansiedade que pode existir e fui à cara e na coragem. Ao chegar ao lugar, fiquei sabendo que eu e os outros estagiários iríamos fazer um trabalho numa comunidade, nunca tinha ouvido falar dela e depois fui informada que lá era onde ficava o antigo lixão da minha cidade. Dali, eu já entendi que iria ver um mundo diferente do meu. Apesar de não ser da classe alta, meus pais sempre me deram tudo que eu precisava. Estudei em boas escolas, tinha comida e um bom lugar para dormir. Nada me faltava e nunca faltou. Então, seguimos para a tal comunidade. Sim, eu estava certa. Era um mundo totalmente diferente do que eu conhecia, tinham casas de alvenaria e outras de papelão. Em algumas moradias, nem divisão de cômodos tinha, em outras eram feitas com lençóis. Em uma delas, eu conheci uma garotinha. Aquilo ali, me fez crescer mais do que eu tinha crescido em toda minha vida.


A menina, de apenas cinco anos, estava descalça, magrinha e um pouco suja. Mesmo assim, era linda. Olhou para os meus pés e viu meu tênis, novinho, e disse que o sonho dela era ter um tênis rosa. Meu coração quebrou. Acho que ele nunca tinha ficado tão partido, tão angustiado. A gente reclama de tantas coisas, não é? De não ter um celular da última geração, de não ter uma câmera boa, de não usar roupa de tal marca, de não ter milhões de seguidores no Instagram ou até de não comer naquele restaurante chique que está na moda. A menina, só queria um sapato. Na hora, eu não sabia como reagir. Não sabia o que pensar. Senti que eu era uma péssima pessoa. Sai de lá com todos os pensamentos possíveis.

Então, o tempo foi passando. Vi muitas meninas como ela, visitei muitos lugares com situações piores, conheci muita gente que passava por dificuldades inimagináveis. Eu sempre soube que a vida era difícil, mas não tanto. Desde criança ouvi que existiam pessoas que passavam fome, frio e sede, mas não pensava que era assim. Já tinha visitado asilos, conhecido histórias pesadas. Também já tinha ido a orfanatos, e, infelizmente, visto pessoas com doenças sérias. Então, ao refletir sobre isso tudo, decidi tentar um pouco a visão do mundo de outras pessoas. Talvez eu não consiga, mas é necessário.

Devemos deixar a futilidade de lado, pensar mais no outro e tentar ajudar os outros. Você não precisa doar seus bens, não precisa parar de usar suas roupas de marca ou de frequentar lugares mais chiques. Você só precisa doar amor, enxergar com mais amor. Verá que ajudará pessoas, em alguns casos, apenas com seu sorriso. Perceberá que só em ouvir alguém desabafar, poderá está salvando uma vida. Visitando uma casa de apoio, fará alguém mais feliz. Algumas ações, por mais que pequenas, são grandiosas quando feitas pelo coração. Eu mudei muito, amadureci um bocado e só firmei o meu sonho de ser alguém cada vez melhor. Talvez o meu milagre fosse aquele dia qualquer em novembro de 2013, mas o seu pode ser qualquer minuto. Basta você abrir sua alma. A vida é muito mais do que nossos olhos enxergam.
Apenas uma reflexão <3 

Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.