Arquivo do Autor Martinha Barreto

Por que você foge ao ver essas marcas?

30 de setembro de 2016

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Eu não sou linda? Não sou perfeita? Não pareço ter o mundo nas mãos? E esses cortes no meu braço? O que você diz sobre eles? E esses arranhões no meu pescoço? Na minha perna? As marcas de sangue na minha cocha? E essas olheiras? O que me diz sobre elas? Esses olhos inchados de tantas lágrimas? Essa voz rouca dos gritos pedindo socorro? Ninguém acha bonito? Cadê os aplausos agora quando veem o vazio que está aqui por dentro? Ora, por que vocês estão correndo? Porque não estou sorrindo, só pode.

Todos dizem tantas coisas, dizem que isso é só pra chamar atenção. Dizem que não é nada mais do que drama. Ah, eles acham que eu vou melhorar com elogios. Eles acham que eu preciso disso. Apenas disso. Quando na verdade, eu só queria sair correndo. Correndo como se não houvesse amanhã e não existisse medo algum. Como se não existissem vozes. Como se não existisse ódio. Ah, como se não existisse a solidão.

Não, eu não odeio a solidão. Eu não a temo. Eu apenas vivo com ela há tanto tempo que me cansei. Cansei de me sentir assim. Queria apenas acordar e não sentir mais esse pavor. Sorrir, levantar e não ter vontade de sair correndo e voltar pra cama. Sair andando pelos cantos claros e não sentir nada me empurrando pra trás. Apenas isso que eu queria. E talvez aí, você conseguisse dizer que eu sou linda mesmo. Que essas marcas só mostram que eu venci. Não sei, mas talvez aí, você não tivesse correndo agora. Correndo pra bem longe de mim.

Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.

Relacionamentos Abusivos e Autoestima: Quando você parou de se achar bonita?

15 de setembro de 2016

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Hoje vou lançar uma série de posts no meu blog, seguindo a idéia do “Quando você deixou de se achar bonita?”. Cada post terá um tema diferente e se iniciará com o depoimento de alguma mulher. Principalmente por saber que existem vários tipos de opressões que mexem com nossa autoestima e para que todos se sintam representados. Afinal, seria uma falta de respeito com todas se eu protagonizasse esse quadro. Então, para iniciar, hoje vamos conhecer um pouco a história de Ane e como relacionamentos abusivos podem trazer danos gravíssimos ao amor próprio de uma mulher. Perguntei a Ane quando ela deixou de se achar bonita e essa foi a resposta:

“Quando foi que eu deixei de me achar bonita?

Quando tive seqüências de relacionamentos abusivos, isso vem acontecido desde os meus 18 anos e até então parece jogo de azar, pois tenho 22 anos hoje e isso ainda não passou. Fui trocada diversas vezes sem nenhuma explicação por meninas que tinham dinheiro ou que eram mais bonitas que eu. Muitas pessoas falam: “Autoestima baixa por causa de macho? Jamais!” Legal, se você é super bem resolvida com isso, palmas pra você, mas comigo foi muito além de ter sido trocada. Comigo são palavras que me magoaram no decorrer desses anos, atitudes que esperava de certas pessoas e expectativas criadas.

“Você não vai arrumar alguém melhor do que eu” “você só serve pra isso” são palavras que mexem com o psicológico da gente de tal forma, que você pode ser a Miss Universo que ainda sim vai se sentir magoada e vai se perguntar. Será? Será que ele tem razão? Depois de tantos relacionamentos abusivos cheguei a pensar que realmente o problema sou eu, na verdade eu ainda acho que sou eu. Sei que por dentro sou uma pessoa linda, não consigo desejar o mau pra ninguém, tento ajudar o máximo que posso todas as pessoas que amo, claro, tenho os meus defeitos e quem não tem? Sou do tipo de pessoa que morre por alguém que ama. Mas, às vezes, tenho dúvida: será que mais vale a beleza exterior do que a interior?”

Ane Caroline, 22 anos | Blog | Canal | Instagram

Existem muitas pessoas como a Ane por aí, quantas vezes nós aceitamos qualquer tipo de demonstração de afeto apenas por acharmos que não somos boas o bastante? Quantas vezes nos perdemos no mundo atrás de pessoas que nos tratam mal com medo da solidão? Relacionamentos abusivos nos fazem ser assim. Não temos culpa. É como se nós nos sentíssemos inferiores a qualquer pessoa ou a qualquer coisa. Mas olha só, nós não somos. Não importa quantas vezes a gente tenha que repetir isso até acreditarmos, mas vamos – um dia – acreditar: Nós não somos inferiores.

Se você tem alguma história de relacionamento abusivo, comenta. Vamos debater um pouco sobre assunto. Se você quer aparecer aqui, comenta também. Irei ficar infinitamente feliz com a sua participação e ah: semana que vem tem mais!

Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.

Quando você parou de se achar bonita?

10 de setembro de 2016

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“Eu nunca fui o exemplo de garota bonita. Eu sou desafinada, mesmo amando cantar. Não sei dançar, apesar de me divertir horrores dançando. Não sei costurar, mesmo sempre costurando as roupas das minhas bonecas. Não sei sorrir sem fechar os meus olhos ou ficar vermelha, apesar de rir de quase tudo. Não sei pegar no garfo usando a mão direita, mesmo sendo ambidestra. Eu sou destrambelhada, apesar de amar ajudar as pessoas em tudo. Eu não sei cozinhar tão bem, mesmo amando testar receitas novas. Eu sou uma completa garota imperfeita. Cresci ouvindo que não sou tão bonita assim, que devia alisar o meu cabelo e deixá-lo sem tanto volume. Aprendi que eu não deveria opinar sobre tudo, ser tão a favor dos que sofrem e que sair pelo mundo ajudando não é algo que vá me fazer bem. Eu não sou uma garota bonita. Não pra sociedade em que vivemos.

Nunca gostei de esportes ditos femininos. Vôlei? Derrubo tudo que toca minhas mãos. Futebol era minha alegria. Falar disso? Jamais, isso não me faz uma garota bonita. Minhas pernas? Finas demais. Vou acabar voando. Minha barriga? Flácida. Minha pele? Cheia de cicatrizes e marcas de injeções. Não, isso não me faz uma garota bonita. Aliás, quantas garotas bonitas nós temos por aí? Somos tão obrigadas a cairmos na perfeição, a sonharmos com o dia em que vamos ser ditas como belas que esquecemos que nossa beleza está por dentro.

Eu posso não andar como a Gisele andou na abertura das olimpíadas, eu posso não ter o corpo das Kardashians e posso ter o meu cabelo igual o daquela princesa, como é mesmo o nome dela? Merida. Eu posso ser assim e continuar sendo belíssima. Todas as minhas particularidades me fazem ser essa poesia ambulante. Eu gosto de ser poesia. Eu prefiro ser poesia. Talvez algum dia eu me ame sendo quem sou, talvez isso não aconteça. Mas alguém, em algum lugar do mundo, me amará por isso. Especialmente por isso. Garotas bonitas são lindas, mas garotas poesia são poeticamente como a água. Essenciais. Então, hoje, numa manhã de sábado, eu me declaro poesia e quando eu parei de me achar bonita? Quando me vi no espelho pela primeira vez.”

 Se você, assim como eu, também se sente uma poesia ambulante, use a hashtag no instagram #soupoesiaambulante, explicando o porquê de você se sentir assim e desde quando parou de se achar uma garota bonita. Vamos fazer uma linda corrente mostrando que somos lindas do nosso jeito, que somos poesia, que somos amor. Selecionarei as fotos e textos para postar aqui. Vem comigo?

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Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.

6 dicas para ter um Instagram perfeito. 

24 de agosto de 2016

No post hoje darei dicas de como ter um Instagram perfeito e como isso vai te ajudar a ser feliz nessa rede social que só cresce. Vamos lá?

1) Fotografe as coisas que você acha bonito por aí. O céu da manhã, a flor do seu prédio, à sombra no piso da sua casa, o sorriso do seu avô, o café derramando na xícara, o olhar do seu irmão.

2) Não deixe de postar uma foto que provavelmente não combine.
O seu Instagram tem se adaptar o seu momento de vida e não sua vida a ele.

3)
Deixe que seus sentimentos sejam explanados. Não tem isso de querer só mostrar a vida perfeita. Todo mundo chora, todo mundo sorri, todo mundo adoece. Vida perfeita só em comercial de margarina.

4)
Seja sempre você mesmo. Se inspirar e ver fotos legais é legal e aumenta a criatividade, mas não se prive a isso. Tire suas fotos por si só, alimente sua mente. O que faz a diferença é a gente sentir ali o sentimento de quem fotografou.

5) Não tenha medo de colocar legendas
, se não quiser, não coloque. Mas se puder, escreva do jeitinho que você quiser. Engraçado, reflexivo, poético, apaixonante. Do jeito que você se sentir melhor.

6)
Por último, valorize seu cantinho de fotografias ali. Ele é seu. Ame. Não precise dos aplausos das pessoas pra amar… Você é incrível do seu jeito.

Bom, essas foram dicas que eu tenho pra vocês. Sei que cada um tem um jeito, cada um vê a vida de um jeito, na verdade. Mas, enxerguem a vida de um jeito diferente e tudo mudará.

Com amor, Martinha.

Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.

Abraçar o mundo com as mãos.

20 de julho de 2016

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Hoje minha mãe me disse que eu deveria me proteger e não tentar proteger o mundo inteiro com meus braços. Eu já tinha ouvido alguém me falar que é impossível agarrar a Terra com as mãos e sobreviver. Mas, não vejo como algo viável fechar os olhos perante as injustiças. Tantas pessoas aqui nesse mesmo planeta sofrendo, sem algo pra comer, sem algo pra beber. Bem, não consigo pensar num porquê de não lutar por eles. Pode parecer até utopia e ilusório, contudo é possível transformar numa possibilidade real. Apesar do problema está na falta de amor ao próximo.

Fomos acomodados a nos calar diante das desigualdades. Poucos estudamos para mudar o nosso local, apenas pensamos no nosso “eu”. Existem tantas pessoas criativas, inteligentes e com a capacidade de criar algo que ajudasse pelo menos um alguém, mas a ganância e a falta de incentivo fazem com que sejamos obrigados a esconder isso e criar mais alguma coisa que aumente as diferenças. O mundo os leva ao poder, poder esse que extingue os menores. Largando quem precisa deles ao léu.

Sim, talvez alguns não tenham culpa disso. Sim, talvez alguns nunca tenham pensado nisso. Sim, talvez alguns apenas não tenham a chance de ajudar. Mas, desde quando o primeiro passo não pode ser dado um pouco tarde? A vida está aí, a gente nunca sabe quando ela vai acabar mesmo. É notório que qualquer segundo doado com amor terá um bom resultado. Sei que minhas mãos são pequenas, meus pés? Menores ainda. Sei que não sou alta e minha voz não é capaz de gritar tão alto que faça com que todos escutem.  Todavia, farei de tudo para guardar todo o mundo com meus bracinhos. Faça o mesmo. Se dermos nossas mãos, todo mundo sairá dessa.

Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.