Abraçar o mundo com as mãos.

20 de julho de 2016

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Hoje minha mãe me disse que eu deveria me proteger e não tentar proteger o mundo inteiro com meus braços. Eu já tinha ouvido alguém me falar que é impossível agarrar a Terra com as mãos e sobreviver. Mas, não vejo como algo viável fechar os olhos perante as injustiças. Tantas pessoas aqui nesse mesmo planeta sofrendo, sem algo pra comer, sem algo pra beber. Bem, não consigo pensar num porquê de não lutar por eles. Pode parecer até utopia e ilusório, contudo é possível transformar numa possibilidade real. Apesar do problema está na falta de amor ao próximo.

Fomos acomodados a nos calar diante das desigualdades. Poucos estudamos para mudar o nosso local, apenas pensamos no nosso “eu”. Existem tantas pessoas criativas, inteligentes e com a capacidade de criar algo que ajudasse pelo menos um alguém, mas a ganância e a falta de incentivo fazem com que sejamos obrigados a esconder isso e criar mais alguma coisa que aumente as diferenças. O mundo os leva ao poder, poder esse que extingue os menores. Largando quem precisa deles ao léu.

Sim, talvez alguns não tenham culpa disso. Sim, talvez alguns nunca tenham pensado nisso. Sim, talvez alguns apenas não tenham a chance de ajudar. Mas, desde quando o primeiro passo não pode ser dado um pouco tarde? A vida está aí, a gente nunca sabe quando ela vai acabar mesmo. É notório que qualquer segundo doado com amor terá um bom resultado. Sei que minhas mãos são pequenas, meus pés? Menores ainda. Sei que não sou alta e minha voz não é capaz de gritar tão alto que faça com que todos escutem.  Todavia, farei de tudo para guardar todo o mundo com meus bracinhos. Faça o mesmo. Se dermos nossas mãos, todo mundo sairá dessa.

Martinha Barreto. 19 anos. Estudante de Engenharia Civil. Técnica em Edificações. Sonhadora. Apaixonada por MPB. Flamenguista doente. Viciada em livros. Escreve desde os 12 anos. Um pouco dramática. Um pouco exagerada. Meio Julieta. Meio Helena. Meio Marília. Meio Capitu. Inteiramente palavras.


13 comentários

13 respostas para “Abraçar o mundo com as mãos.”

  1. VANESSA BRUNT disse:

    Ai, Ma, como é bom sentir o seu coração e poder agarrar mais rosas do que puros espinhos no nosso dia. Como é delicioso mergulhar em cada uma das suas linhas e entrelinhas. As suas críticas, feitas de formas tão reflexivas, intensas, poéticas e com aqueles fundos de esperanças que nos impulsionam para caça de melhorias e mais autoconhecimento, são ternas e tão admiráveis. Obrigada por cada partilha que faz, deixando seu legado assumir enlaces com tantos outros, fazendo parte de uma rede de novos olhos e – esperemos que – novas mãos. Suas visões são fundamentais e sua entrega é base que deveria servir para muitos prédios. Deixo aqui um poema que senti destrinchado pelas suas palavras. Um super beijo!

    “AO REPARAR QUE ESTAMOS SOZINHOS

    Não merece o fundamental
    Quem não sabe abrir mão
    Do trivial.
    Não merece ler o final
    Aquele que fala
    Que foi acidental.
    Então vamos tirar os sapatos
    Colocar os pés na calçada
    Vamos encarar os fatos
    De que tudo tem sua pancada
    Vamos olhar para trás
    Fazer cruz e dizer amém
    Por ser hoje capaz:
    De ver que fica o que faz bem.
    Estamos abandonados o tempo inteiro
    Mas nascemos sozinhos para estarmos juntos
    Que um sonho precisa permitir outros sonhos
    Abrir mais portas para outros assuntos.
    Porque nada sobrevive só de si
    Nada sobrevive só sendo
    Para ser é preciso de troca
    Só escreve quem começa lendo.
    E ainda bem então que somos, que estamos, que seremos.
    Ainda bem que fomos, que choramos, que riremos.
    Ainda bem que assim, que daquele jeito, que não diferente:
    Ainda bem que fica o que faz sentido e vai para frente.
    Se não acabou a caminhada
    Fica tranquilo, pega um champanhe
    Se tudo parece mais nada
    Foca naquilo que mais lhe ganhe
    Que existe uma rua enorme
    E sempre o que comemorar
    Deixa que a vida informe
    Quanto bem vem se instalar:
    Cada fardo deixa um tesouro
    Uma obra linda de contradição
    Dentro de cada besouro
    Ouro no final! Poesia e canção.
    Quem vier querendo carinho
    Espere mostrar a conduta.
    Mas não precisa tão de mansinho
    Fazer passo para ser astuta.
    Um sonho precisa olhar
    Para mais de um lado para ganhar vida!
    Sonho que só aceita ser se for exatamente como sonhado
    Vira no olho, fita.
    É muito mais rica a prioridade
    Que teve ajuda de outra para expandir
    Muito maior a calamidade
    De quem não soube pausar, distrair.
    Que é necessário dar as mãos
    Ao peso das portas, as novas janelas
    Sonho sem oportunidades inesperadas
    Morre no perfeccionismo das celas.”

    (Vanessa Brunt)
    http://www.semquases.com

  2. Esse texto! <3 Nossa, te conheço faz um bom tempo, mas nunca havia entrado aqui no teu blog. E mano, to apaixonada!

  3. Sandra disse:

    Tu não áras de me surpreender Martinha, és uma pessoa incrível e vais deixar a tua marca aqui na Terra, acredita. Somos pequenos grãos de areia que haverão de desaparecer com um leve sopro, mas podemos sim fazer a diferença, praticar o bem todos os dias, lutar por um mundo melhor todos os dias. Se cada um fizer a sua parte “todo o mundo poderá sair dessa” ❤

  4. Nossa, Martinha <3
    Que texto maravilhoso e impactante. É aquele texto que o mundo inteiro precisa ler. Parabéns!!!

  5. Bruna WB disse:

    Gostei muito da sua reflexão, Martinha. Eu sempre escuto coisas como “você não vai salvar o mundo”, mas talvez a questão nem seja essa. Se eu “salvar” uma pessoa, ela salvar outra, e assim por diante, nos salvamos todos. Precisamos sentir mais amor um pelo outro, respeitar todos os seres, batalhar pelos nossos ideais. Cada coisinha que fazemos pode impactar muito na vida de alguém, então que seja de uma maneira positiva, né? Que você nunca desista disso! 🙂
    Beijos,
    Bru
    http://www.moderando.com

  6. Lara Ribeiro disse:

    Realmente Martinha, se os outros não ajudam, porque não podem ou por outro motivo qualquer, não é motivo para nós não ajudarmos. Se fizermos o minimo que for, o mundo será um lugar mais bonito de conviver.
    Beijão Martinha, Jardim de primavera

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